
Esta nota de leitura discute o conteúdo de um artigo publicado na Revista Internacional de Educação Superior, (v.11, 2025), intitulado “Análise dos financiamentos em formação avançada na área de Ciências da Educação em Portugal: distribuição entre domínios e áreas científicas do conhecimento“, que tem como autoras Emilce Pacheco, (doutoranda em Ciências de Educação), e Dora Ramos Fonseca, (doutora em Ciências de Educação), ambas vinculadas à Universidade de Aveiro (UA).
A pesquisa realizada pelas autoras analisou o direcionamento dos recursos concedidos pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) entre 2018 e 2021, na modalidade bolsas de doutoramento na área de Ciências da Educação em comparação com outros domínios do saber científico. A problemática que permeia todo o debate apresentado gira em torno da “forma como a FCT distribuiu as bolsas de doutoramento inviabilizando um processo equânime de produção de ciência entre os domínios científicos e áreas científicas do conhecimento?”.
As autoras relacionam um descompasso à consolidação de uma matriz tecnocrata, na qual a ciência e a inovação são orientadas por retornos econômicos de curto prazo e por demandas de setores específicos da economia, deixando em segundo plano o enfrentamento de questões sociais mais amplas.
O texto destaca que a ciência nacional se expandiu por meio de políticas voltadas à formação de pesquisadores, ao fortalecimento institucional e a uma nova dinâmica de conexão global entre economia, conhecimento científico e informação. Contudo, persistem problemas, segundo as pesquisadoras, tais como a instabilidade no financiamento da formação avançada, a dependência de recursos externos e a pressão por indicadores quantitativos. Fatores que beneficiam determinadas áreas em detrimento de outras, como as Ciências da Educação em Portugal.
Nesse sentido, para Pacheco e Fonseca, a FCT, agência de fomento em Portugal, trouxe avanços ao país ao proporcionar financiamentos a diferentes tipos de atividades, fazer avaliações e a gestão de bolsas, o que influencia as prioridades da pesquisa neste país.
Metodologicamente, a pesquisa se configura como um estudo de caso de abordagem mista, fundamentada em análise documental de editais e dados extraídos do portal da FCT. Ao examinar quatro editais que totalizaram 5.143 bolsas de doutoramento, as autoras utilizaram a estatística descritiva para mapear a evolução anual dos recursos e posicionar as Ciências da Educação em relação às demais áreas.
A pesquisa revelou um financiamento desigual, que privilegia saberes práticos e mercadológicos, em detrimento de áreas e subáreas do conhecimento que fazem parte das Ciências Humanas e Sociais. Esta hierarquia, segundo as autoras, demonstra uma lógica de mercado que prioriza o retorno econômico imediato. Pacheco e Fonseca destacam que, apesar de avanços no desenvolvimento científico português após a integração à União Europeia, ainda persistem críticas à falta de sustentabilidade financeira e ao domínio de métricas de produtividade impostas por agendas globais.
Nada mais nos resta a não ser desejar lhes uma profícua leitura desse artigo que nos oferece um debate extremamente pertinente para a área do financiamento de pesquisas em Educação Superior no âmbito internacional.
Autor
Hugo Leonardo Tuckumantel (ORCID)
Referência
PACHECO, Emilce; FONSECA, Dora Ramos. Análise dos financiamentos em formação avançada na área de Ciências da Educação em Portugal: distribuição entre domínios e áreas científicas do conhecimento. Revista Internacional de Educação Superior, Campinas, SP, v.11, e025009, 2025. DOI: 10.20396/riesup.v11i00.8671156.
Como citar este post:
TUCKUMANTEL, Hugo Leonardo. Análise dos financiamentos em formação avançada na área de Ciências da Educação em Portugal (Notas de leitura). Blog PPEC, Campinas, SP, v. 10, e026004. ISSN 2526-9429. Disponível em: https://gesec.sbu.unicamp.br/2026/02/06/nota-portugal. Acesso em: dd mm aaaa.
