Conteúdo principal Menu principal Rodapé
Imagem da capa do Post
Imagem gerada pelo Google Gemini IA

Gostaria de destacar um estudo que trata sobre a prevalência de Transtornos Mentais Comuns (TMC) em estudantes universitários. A pesquisa “Saúde mental de universitários: um levantamento com estudantes da área de saúde da rede pública e privada”, publicada no volume 12, de 2026, da Revista Internacional de Educação Superior (RIESup), teve como objetivo identificar a prevalência de depressão, ansiedade generalizada e ansiedade social em estudantes de graduação da área de saúde. E, em uma segunda instância, buscou avaliar as diferenças no perfil de saúde mental entre os estudantes de Instituições de Ensino Superior (IES) públicas e privadas.

O texto é escrito por pesquisadores da área de saúde pública e psicologia, de modo que revela o selo histórico de Minas Gerais pós-pandemia. A primeira autora, Esther de Matos Ireno Marques, é doutoranda em Psicologia na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). A segunda autora, Graziella Lage Oliveira, é doutora em Saúde Pública pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Já a terceira autora, Fabiane Rossi dos Santos, é doutora em Saúde pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF).

Logo no início, as autores que falam do coração de Minas Gerais, um Estado pioneiro na reforma psiquiátrica e na luta pela saúde psicossocial, ressaltam a realidade de que os Transtornos Mentais Comuns (TMC) são mais recorrentes em universitários do que na população em geral. As autoras ilustram, ainda, que sintomas como ansiedade afetam 6 a cada 10 estudantes, que também tem um índice de 8,5% em relação à pensamentos suicidas. Diante disso, me pergunto: de que modo a herança da reforma psiquiátrica mineira, historicamente protagonista na consolidação de uma rede substitutiva ao modelo manicomial, responde ou falha diante do crescente sofrimento psíquico entre jovens universitários?

A questão talvez seja de uma lente de maior densidade: como cursos da área da saúde, que tratam especificamente sobre o cuidado, são atravessados por problemas relacionados à saúde psíquica? O ponto não é escolher entre teoria e estágio, mas sim reconhecer como a carga horária brutal, a exposição contínua ao sofrimento humano e a pressão por zero erro tem triturado futuros profissionais da área.

Assim, ao mapear os Transtornos Mentais Comuns (TMC) em 173 estudantes de enfermagem, farmácia, fisioterapia, medicina, nutrição, odontologia e psicologia de IES pública e privadas, Esther, Graziella e Fabiane nos revelam a cereja do bolo: apesar de perfis distintos (pública: integral/solteiros; privada: heterossexuais/familiares), não há diferenças significativas na prevalência mental, com 54,3% de depressão clínica (moderada/grave), 52% de ansiedade generalizada clínica e 59% de ansiedade social. Seus achados revelam que fatores psicossociais, como plantões, preceptores, medo de erro fatal, tem convertido cursos da área de saúde em verdadeiros caldeirões emocionais e, assim, construído um sofrimento universalizado entre as redes públicas e privadas.

Realizado em 2023-2024 (pós-pandemia), o estudo transversal confirma tendência histórica de agravamento dos Transtornos Mentais Comuns (TMC): 42,2% depressão moderada + 12,1% grave (PHQ-9); 26,6% ansiedade moderada + 25,4% grave (GAD-7); ansiedade social em 59% (CASO>90), superando médias nacionais históricas (23-59,2%). Alarmantes 32% exibem sobreposição tripla de sintomas.

Dito isso, o estudo confirma a urgência da prevenção em saúde, com o fortalecimento de serviços psicológicos nas Instituições de Ensino Superior (IES) e de estratégias de enfrentamento que sejam institucionalizadas. É, sem dúvidas, uma excelente leitura para compreender as dimensões de saúde mental e exaustão de estudantes universitários, no recorte geográfico de Minas Gerais que, quiçá, possa inspirar novos estudos em outras realidades.

Vale a pena conferir a pesquisa na íntegra e também acessar o relato das autoras no vídeo disponível no canal oficial do YouTube da Revista Internacional de Educação Superior (RIESup).

Desejo a todos(as) uma boa leitura e ótimas reflexões!

Autor

Davi Alexandre Schoenardie (ORCID)

Referência:

MARQUES, Esther de Matos Ireno; OLIVEIRA, Graziella Lage; SANTOS, Fabiane Rossi dos. Saúde mental de universitários: um levantamento com estudantes da área de saúde da rede pública e privada. Revista Internacional de Educação Superior, Campinas, SP, v. 12, e026042, 2025. DOI: 10.20396/riesup.v12i00.8678924. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/riesup/article/view/8678924. Acesso em: 23 jan. 2026.

Como citar este post:

SCHOENARDIE, D. A. Saúde mental de universitários. [Notas de leitura]. Blog PPEC, Campinas, SP, v.10, e026003, fev. 2026. Disponível em: https://gesec.sbu.unicamp.br/2026/02/05/nota-saude-mental. Acesso: dd mm aaaa.

Ir para o topo